28/03/2017

[Report] Wolfheart + Eternal Storm @ RCA Club

Mesmo com a primavera oficialmente instalada em Portugal, os ventos gélidos do inverno finlandês percorriam as ruas da capital sobe a forma do Death Metal melódico dos Wolfheart, com o epicentro da tempestade anunciado para o RCA Club. 

A banda de Tuomas Saukkonen (ex-Before the Dawn, ex-Black Sun Aeon, ex-Bonegrinder, ex-Dawn of Solace, ex-RoutaSielu, ex-The Final Harvest, ex-Jumalhämärä, ex-Rajavyöhyke) fazia a sua segunda passagem por território nacional, prometendo uma demonstração de bom Melodic Death Metal da mesma escola que nos trouxe bandas como Insomnium ou Omnium Gatherum.

Mas antes da escola nórdica, subiram ao palco os Eternal Storm, oriundos da capital da nossa vizinha Espanha, dispostos a demonstrar como se faz Melodic Death Metal no sul da europa. 

Eternal Storm
Assim sendo, cerca de quinze minutos depois das 21 horas e perante uma plateia que ainda não teria mais de 70 pessoas, ouviram-se os primeiros acordes de ‘Drifters’, entrando desde logo com peso, soltando belos solos que provocaram uma boa recepção, ainda que com um entusiasmo moderado, devido à desconfiança inicial e normal perante um grupo que fazia a sua estreia em Portugal, e ainda desconhecida de muitos.

A banda madrilena conta apenas com um EP (From the Ashes) editado e uma curta participação num split EP (Elemental Nightmares – V), tendo focado a sua actuação no trabalho já editado mas deixando espaço para adiantarem alguns temas novos do futuro álbum que deve ver a luz do dia brevemente. 
Com muito para fazer e pouco tempo para actuar, lançaram-se num concerto non-stop com pouco tempo para diálogos, conquistando a cada música mais aplausos à força da competência que demonstravam em palco, fosse no grave gutural cavernoso e poderoso de Kheryon ou nos acordes que os instrumentos soltavam, onde a nota técnica mais relevante surgia dos solos que as duas guitarras faziam ecoar na sala. Do EP From the Ashes tocaram ‘Grey Skies’ e ‘A Picture in the Dark’ antes do novo tema ‘The Mountain’ que demonstrou que o grupo segue na direção certa no desenvolvimento e enriquecimento do seu som, apresentando uma solida malha de Melodic Death Metal, para depois retornarem a From the Ashes  para tocarem ‘The Dream’.
Eternal Storm
A juventude da banda não se sentiu na competência dos seus elementos, sendo perceptível apenas na presença um pouco fria e robotizada em palco. Nada que perturbasse a plateia que já se manifestava conquistada, recebendo de braços no ar e metal horns, que não mais se baixariam, e entusiasmo redobrado, ‘The Great Wings of Silence’ do Split Elemental Nightmares – V. ‘Detachment’ foi mais uma música nova que tocaram, merecedora de algumas das melhores reações da atuação. E com o público a pedir mais uma, os Eternal Storm tocaram Boundaries of Serenity numa viagem final ao ano de 2013, concluindo a sua passagem por Lisboa sobe aplausos.

Wolfheart é um nome sugestivo para os fãs de metal nacionais mas o projeto de Tuomas Saukkonen percorre sonoridades distintas do álbum dos Moonspell de 1995. 
Wolfheart
Nascendo em 2013, altura em que Tuomas Saukkonen abandonou outros projetos para se dedicar a esta sua criação, produzindo e editando Winterborn, um trabalho onde faz as vozes e toca todos os instrumentos, com exceção dos solos onde contou com a colaboração de Mika Lammassaari. 

A beleza e a brutalidade melódica do seu Death Metal, enriquecido com influências do Doom metal, conquistou rapidamente espaço de destaque entre a crítica especializada e os fãs da vertente mais melódica do Death Metal. 


O sucesso fez com que se rodeasse de músicos experientes, como passagens por bandas como Eternal Tears of Sorrow, Burning Empire ou Casket, e com que o projeto a solo se transformasse num banda ambiciosa, seguindo-se o lançamento de Shadow World em 2015 e Tyhjyys lançado recentemente, motivo para uma segunda viagem a Portugal para apresentar o mesmo às hostes nacionais.
Wolfheart
Foi com a casa mais composta, mas ainda assim com menos público do que mereciam, que cerca das 22h20 se ouviu um coro de aplausos que recebia os músicos que surgiam em palco ao som do instrumental ‘Shores Of The Lake Simpele’, e logo que ‘Boneyard’ começou a ecoar na sala instintivamente se ergueu uma multidão de metal horns e cabeças que rodopiam sobe o efeito hipnótico dos Riffs

Apesar de terem começado pelo mais recente trabalho, haveria tempo para percorrerem prolongadamente todos os trabalhos, sendo que depois do mais recente, presentearam os fãs com o mais antigo Winterborn através dos temas ‘Strength and Valor’ e ‘I’ com uma plateia perfeitamente sincronizada com headbanging no embalo da cadência da bateria. 

Faltava apenas Shadow World, não podendo ficar esquecido. Foi por ele que prosseguiram com ‘Abyss’, tocada com cada nota reflectida nos seus rostos, numa comunhão de sentimentos que partilhavam com os fãs. Com a mesma intensidade mas com ainda mais energia, apresentaram mais um tema do ainda fresco Tyhjyys,World on Fire’ intensificando o headbanging numa altura em que já muito suor escorria tanto em palco como na plateia.
Wolfheart
O resto da actuação não retornaria ao mais recente trabalho, mas não faltariam motivos de contentamento para os presentes, numa crescente comunhão entre a banda e o publico, numa altura que nenhum apelo da banda ficava sem resposta, surgiu a malha ‘Zero Gravity’ arrancando um violento mosh que o peso de ‘Ghosts of Karelia’ não permitiu abrandar. 

Embalados por aplausos tocaram ‘Veri’ e de seguida o tema que deu a banda a conhecer a muitos fãs, ‘Routa Pt.2’ com os seus riffs a atingirem a massa humana que cobria de negro o RCA Club com rajadas de sentimento oriundas de um qualquer inverno finlandês. 

Aos gritos pelos Wolfheart a plateia trouxe de volta a banda para o encore destinado a apelar pelas reservas de energia de quem se encontrava no circle pit, ‘The Hunt’ e ‘Aeon of Cold’ provocaram violentos mosh que apenas os belos solos pareciam conceder breves momentos para respirar. A banda abandonava o palco mas nenhum fã abandonava a sua posição até as teclas de ‘Aeon of Cold’ se esfumassem no vácuo e apenas restasse a sua memória.

Uma atuação que terá pecado apenas por ter sido algo curta, os 12 temas que desfilaram souberam a pouco.
Wolfheart


A um dia de semana começar os concertos com pontualidade às 21h15 e acabarem com pontualidade pelas 23h30 é algo bastante positivo, sendo que sobra tempo suficiente para o comum dos mortais poder ir trabalhar no dia seguinte com o sono em dia. 


Nota positiva também para a qualidade do som que as bandas tiveram ao seu dispor.

A noite era chuvosa mas merecia mais público, mesmo assim tendo em conta a satisfação manifestada tanto por fãs e banda podemos confiar num retorno dos Wolfheart a terras lusitanas num futuro, quem sabe com mais um excelente álbum para apresentar, da nossa parte esperemos mais uma vez estar presentes.

Texto: Henrique Duarte
Fotos: Nuno Santos
Agradecimentos: Ritos Nocturnos

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